OS MUNDOS HABITADOS  -  O LIVRO DE URANTIA


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DOCUMENTO 49
OS MUNDOS HABITADOS

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Todos os mundos habitados pelos mortais são evolucionários por origem e natureza. Essas esferas são o berço evolucionário, o local de geração das raças mortais do tempo e do espaço. Cada unidade de vida ascendente é uma verdadeira escola de aperfeiçoamento para o estágio seguinte da existência, e isso é verdadeiro sobre todos os estágios da ascensão progressiva do homem ao Paraíso; tão verdadeiro para a experiência mortal inicial em um planeta evolucionário, quanto é verdadeiro para a escola final dos Melquisedeques, na sede central do universo; uma escola que só é freqüentada pelos mortais ascendentes um pouco antes do seu translado para o regime do superuniverso, quando eles alcançam o primeiro estágio da existência espiritual.

Todos os mundos habitados são basicamente agrupados, para a administração celeste, nos sistemas locais, e cada um desses sistemas locais é limitado a cerca de mil mundos evolucionários. Essa limitação é feita por um decreto dos Anciães dos Dias, e diz respeito aos verdadeiros planetas evolucionários, onde estejam vivendo mortais com status de sobrevivência. Nem os mundos estabelecidos finalmente em luz e vida, nem os planetas nos estágios pré-humanos do desenvolvimento da vida pertencem a esse grupo.

Satânia, em si mesmo, é um sistema inacabado, que contém apenas 619 mundos habitados. Tais planetas são enumerados em série, de acordo com o seu registro como mundos habitados por criaturas de vontade. Assim, foi dado a Urântia o número 606 de Satânia, significando que é o 606o mundo do sistema local, no qual o longo processo da vida evolucionária culminou com o aparecimento de seres humanos. Existem trinta e seis planetas não habitados aproximando-se do estágio em que serão dotados de vida, e vários outros estão agora ficando prontos para os Portadores da Vida. Há aproximadamente duzentas esferas que estão evoluindo de modo a ficarem prontas para a implantação da vida dentro dos próximos milhões de anos.

Nem todos os planetas são adequados para abrigar a vida mortal. Os pequenos, que têm uma velocidade de rotação elevada, em torno do próprio eixo, são totalmente inadequados como habitat para a vida. Em vários sistemas físicos de Satânia, os planetas que giram em volta do sol central são grandes demais para serem habitados; a sua grande massa ocasiona uma gravidade opressiva. Muitas dessas esferas enormes têm satélites, algumas vezes uma meia dúzia ou até mais, e essas luas, freqüentemente, têm um tamanho muito próximo do de Urântia, de um modo tal que são quase ideais para serem habitadas.

O mundo habitado mais antigo de Satânia, o mundo de número um, é Anova, um dos quarenta e quatro satélites que giram em torno de um planeta escuro enorme, mas exposto à luz diferencial de três sóis vizinhos. Anova está em um estágio avançado de civilização progressiva.

1. A VIDA PLANETÁRIA



Os universos do tempo e do espaço têm um desenvolvimento gradual; a progressão da vida – terrestre ou celeste – não é nem arbitrária, nem mágica. A evolução


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cósmica pode nem sempre ser compreensível (previsível), mas é estritamente não acidental.

A unidade biológica da vida material é a célula protoplásmica, a associação coletiva de energias químicas, elétricas e de outras energias básicas. As fórmulas químicas diferem em cada sistema, e a técnica de reprodução da célula viva é ligeiramente diferente em cada universo local, mas os Portadores da Vida são sempre os catalisadores vivos que iniciam as reações primordiais da vida material; eles são os estimuladores dos circuitos das energias da matéria viva.

Todos os mundos de um sistema local apresentam um parentesco físico inequívoco; contudo, cada planeta tem a sua própria escala de vida, não há dois mundos exatamente iguais nas suas dotações de vida vegetal e animal. Essas variações planetárias, nos tipos de vida do sistema, resultam das decisões dos Portadores da Vida. Todavia, esses seres não agem nem por capricho, nem por excentricidade; os universos são conduzidos de acordo com a lei e a ordem. As leis de Nébadon são os mandatos divinos de Sálvington, e a ordem evolucionária da vida em Satânia está em consonância com o modelo evolucionário de Nébadon.

A evolução é a regra do desenvolvimento humano, mas o processo, em si mesmo, varia muito nos diferentes mundos. Algumas vezes, a vida é iniciada em um centro, e algumas vezes em três, como o foi em Urântia. Nos mundos atmosféricos, ela usualmente tem uma origem marinha, mas nem sempre; depende muito do status físico de um planeta. Os Portadores da Vida têm grande abertura de ação na sua função de iniciar a vida.

No desenvolvimento da vida planetária, a forma vegetal sempre vem antes da animal, e é desenvolvida quase completamente antes de os modelos animais se diferenciarem. Todos os tipos animais são desenvolvidos a partir dos modelos básicos do reino vegetal precedente de coisas vivas; não são organizados separadamente.urantiaedentia4

Os estágios iniciais da evolução da vida não estão inteiramente em conformidade com as vossas visões atuais. O homem mortal não é um acidente evolucionário. Há um sistema preciso, uma lei universal, que determina o desdobramento do plano da vida planetária nas esferas do espaço. O tempo e a produção de grandes números de uma espécie não são as influências controladoras. Os camundongos reproduzem-se muito mais rapidamente do que os elefantes, mas os elefantes evoluem mais rapidamente do que os camundongos.

O processo de evolução planetária é ordenado e controlado. O desenvolvimento de organismos mais elevados a partir de grupos menos desenvolvidos de vida não é acidental. Algumas vezes, o progresso evolucionário é temporariamente retardado pela destruição de certas linhas favoráveis do plasma da vida existente em uma espécie seleta. Em geral, idades e idades são necessárias para reparar os danos ocasionados pela perda de uma única linhagem superior de hereditariedade humana. Essas linhagens selecionadas e superiores do protoplasma vivo deveriam ser zelosa e inteligentemente guardadas, depois de haverem surgido. E, na maioria dos mundos habitados, esses potenciais superiores de vida são muito mais altamente valorizados do que em Urântia.


2. OS TIPOS FÍSICOS PLANETÁRIOS

Há um modelo básico e padronizado de vida vegetal e de vida animal em cada sistema. Todavia, os Portadores da Vida deparam-se, muitas vezes, com a necessidade de modificar esses modelos básicos, para conformá-los às condições físicas variáveis que encontram em inúmeros mundos do espaço. Eles fomentam um tipo generalizado de criatura mortal em um sistema, mas há sete tipos físicos distintos, bem como milhares e milhares de variantes menores dessas sete diferenciações principais:

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1. Os tipos segundo a atmosfera.

2. Os tipos segundo os elementos.

3. Os tipos segundo a gravidade. 

4. Os tipos segundo a temperatura.

5. Os tipos segundo a eletricidade.

6. Os tipos segundo a energia.

7. Os tipos não denominados.

O sistema de Satânia contém todos esses tipos, bem como inúmeros grupos intermediários, embora alguns só sejam representados de modo muito raro.

1. Os tipos segundo a atmosfera. As diferenças físicas entre os mundos habitados pelos mortais são determinadas principalmente pela natureza da atmosfera; outras influências que contribuem para a diferenciação planetária da vida são relativamente menores.

O status atual da atmosfera de Urântia é quase ideal para a manutenção do tipo de homem que respira, mas é possível que o tipo humano seja tão modificado que possa viver tanto no tipo superatmosférico de planetas, quanto no subatmosférico. Tais modificações também se estendem à vida animal, que difere grandemente nas várias esferas habitadas. Há uma modificação muito grande nas ordens animais, dos mundos subatmosféricos para os mundos superatmosféricos.

Dos tipos atmosféricos, em Satânia, cerca de dois e meio por cento são sub-respiradores, cerca de cinco por cento são super-respiradores e cerca de mais de noventa e um por cento são de respiradores intermediários, totalizando assim noventa e oito e meio por cento dos mundos de Satânia.

Os seres como os das raças de Urântia são classificados como respiradores intermediários; vós representais a média, ou a ordem de existência mortal tipicamente respiratória. Se criaturas inteligentes devessem existir em um planeta com uma atmosfera semelhante à do vosso grande vizinho, Vênus, elas pertenceriam ao grupo super-respirador, enquanto as que habitassem um planeta com uma atmosfera tão rarefeita como a do vosso vizinho externo, Marte, seriam denominadas sub-respiradoras.

Se os mortais habitassem um planeta desprovido de ar, como a vossa lua, eles pertenceriam à ordem separada dos não-respiradores. Esse tipo representa um ajuste radical ou extremo ao meio ambiente planetário e é considerado separadamente. Os não-respiradores completam aquele um e meio por cento restante dos mundos de Satânia.

2. Os tipos segundo os elementos. Essas diferenciações têm a ver com a relação dos mortais com a água, o ar e a terra; e há quatro espécies distintas de vida inteligente no que diz respeito a esses habitats. As raças de Urântia são da ordem terrena.

É totalmente impossível, para vós, imaginar o meio ambiente que prevalece durante as idades iniciais de alguns mundos. Essas condições inusitadas requerem que a vida animal em evolução permaneça no seu berço de habitat marinho por períodos mais longos do que naqueles planetas que muito cedo proporcionam um meio ambiente hospitaleiro de terra e de atmosfera. Por outro lado, em alguns mundos do tipo super-respiradores, quando o planeta não é muito grande, algumas vezes é oportuno prover um tipo de mortal que possa prontamente negociar a travessia da atmosfera. Esses navegadores aéreos algumas vezes surgem entre os grupos da água e os da terra, e eles sempre vivem, em uma certa medida, no solo, finalmente transformando-se em terrestres.





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Em alguns mundos, contudo, durante idades, eles continuam a voar, até mesmo depois de haverem-se transformado no tipo terrestre de seres.

Ao mesmo tempo é divertido e surpreendente observar a civilização primeva de raças primitivas de seres humanos tomando forma, em um caso, no ar e nas partes mais altas das árvores, e, em outro, em meio às águas rasas de bacias tropicais protegidas, bem como no fundo, nas bordas e nas praias de jardins marinhos das raças do alvorecer dessas esferas extraordinárias. Mesmo em Urântia houve uma longa idade durante a qual o homem primitivo preservou-se e desenvolveu a sua civilização primeva, vivendo a maior parte do tempo nos topos das árvores, como o faziam os seus longínquos ancestrais arborícolas. E, em Urântia, vós ainda tendes um grupo de pequenos mamíferos (a família dos morcegos) que são navegadores do ar; e as vossas focas e as baleias, de habitat marinho, são também da ordem dos mamíferos.

Em Satânia, dos tipos segundo os elementos, sete por cento são da água, dez por cento do ar, setenta por cento da terra e treze por cento combinam os tipos da terra e do ar. Mas essas modificações das criaturas primitivas inteligentes não são nem peixes humanos nem pássaros humanos. Eles são dos tipos humano e pré-humano, nem superpeixes, nem pássaros glorificados, mas nitidamente mortais.

3. Os tipos segundo a gravidade. Pela modificação do projeto criativo, os seres inteligentes são criados de um modo tal que possam funcionar livremente, tanto em esferas menores, quanto nas maiores do que Urântia, ficando assim, de certo modo, acomodados à gravidade dos planetas que não têm o tamanho e a densidade ideais.

Os vários tipos planetários de mortais variam em altura, a média em Nébadon sendo um pouco abaixo de dois metros e dez. Alguns dos mundos maiores são povoados com seres que têm apenas setenta centímetros de altura. A estatura dos mortais varia desse mínimo, passando pelas médias de altura nos planetas de tamanho mediano e chegando a três metros nas esferas habitadas menores. Em Satânia, existe apenas uma raça que tem menos de um metro e vinte de altura. Vinte por cento dos mundos habitados de Satânia são povoados por mortais do tipo modificado de gravidade, e que ocupam os planetas maiores e menores.

4. Os tipos segundo a temperatura. É possível criar seres vivos que podem suportar temperaturas tanto mais altas, quanto mais baixas do que os limites suportados pelas raças de Urântia. Há cinco ordens distintas de seres, classificados pelo que se refere aos mecanismos de regulagem da temperatura. Nessa escala, as raças de Urântia são as de número três. Trinta por cento dos mundos de Satânia são povoados por raças do tipo de temperatura modificada. Doze por cento pertencem às faixas de temperaturas mais altas, dezoito por cento às mais baixas, se comparadas com as raças urantianas que funcionam no grupo das temperaturas intermediárias.

5. Os tipos segundo a eletricidade. O comportamento elétrico, magnético e eletrônico dos mundos varia grandemente. Há dez modelos de vida mortal variavelmente moldados para suportar a energia diferencial das esferas. Essas dez variedades também reagem de forma ligeiramente diferente aos raios de poder químico da luz comum dos sóis. Mas essas ligeiras variações físicas de nenhum modo afetam a vida intelectual ou espiritual.

Dos agrupamentos elétricos de vida mortal, quase vinte e três por cento pertencem à classe de número quatro, o tipo de existência em Urântia. Esses tipos são distribuídos do modo seguinte: número 1, um por cento; número 2, dois por cento; número 3, cinco por cento; número 4, vinte e três por cento; número 5, vinte e sete por cento;


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número 6, vinte e quatro por cento; número 7, oito por cento; número 8, cinco por cento; número 9, três por cento; número 10, dois por cento – em percentagens inteiras.

6. Os tipos segundo a energização. Nem todos os mundos são iguais na maneira de absorver a energia. Nem todos os mundos habitados têm um oceano atmosférico adequado à troca respiratória de gases, tal como ocorre em Urântia. Durante os estágios iniciais e finais de muitos planetas, os seres da vossa ordem, como são hoje, não podiam existir; e, quando os fatores respiratórios de um planeta são muito elevados ou reduzidos, mas, quando todos os outros pré-requisitos da vida inteligente estão adequados, os Portadores da Vida freqüentemente estabelecem nesses mundos uma forma modificada de existência mortal: seres que são aptos para efetuar as trocas no seu processo de vida, diretamente por meio da energia da luz e da transmutação, em primeira mão, do poder dos Mestres Controladores Físicos.

Há seis tipos diferentes de nutrição para os animais e os mortais: os sub-respiradores empregam o primeiro tipo de nutrição; as espécies marinhas, o segundo; os respiradores intermediários, o terceiro tipo de nutrição, como em Urântia. Os super-respiradores empregam o quarto tipo de absorção de energia, enquanto os não-respiradores utilizam a quinta ordem de nutrição e energia. A sexta técnica de energização serve apenas às criaturas intermediárias.

7. Os tipos sem denominação. Há inúmeras variações físicas adicionais na vida planetária, mas todas essas diferenças são apenas uma questão de modificação anatômica, de diferenciação fisiológica e de ajustamento eletroquímico. Tais distinções não dizem respeito à vida intelectual, nem à vida espiritual.


3. OS MUNDOS DOS NÃO-RESPIRADORES




A maioria dos planetas habitados é povoada pelo tipo respirador de seres inteligentes. Mas há também ordens de mortais que são capazes de viver em mundos com pouco ou nenhum ar. Dos mundos habitados de Orvônton, esse tipo totaliza menos de sete por cento. Em Nébadon essa porcentagem é inferior a três. Em toda a Satânia há apenas nove de tais mundos.

São pouquíssimos os mundos habitados, do tipo não-respirador, em Satânia, porque, nessa seção mais recentemente organizada de Norlatiadeque, os corpos meteóricos do espaço são abundantes; e mundos os sem uma atmosfera de fricção protetora estão sujeitos ao bombardeamento incessante desses corpos erráticos. Mesmo alguns dos cometas consistem de enxames de meteoros, mas que, via de regra, são corpos desagregados menores de matéria.

Milhões e milhões de meteoritos penetram na atmosfera de Urântia diariamente, entrando a uma velocidade da ordem de quase trezentos e vinte quilômetros por segundo. Nos mundos dos não-respiradores, as raças avançadas têm de fazer muito para proteger a si próprias dos danos que os meteoros causariam; e constroem instalações elétricas que operam pulverizando ou desviando os meteoros. Um grande perigo é enfrentado por eles quando se aventuram além dessas zonas protegidas. Tais mundos estão também sujeitos a tempestades elétricas desastrosas de uma natureza desconhecida em Urântia. Durante esses momentos, de intensa flutuação de energia, os habitantes devem refugiar-se nas suas estruturas especiais de isolamento e proteção.

A vida nos mundos dos tipos não-respiradores é radicalmente diferente daquela de Urântia. Os não-respiradores não ingerem comidas nem bebem água como o fazem as raças de Urântia. As reações do sistema nervoso, os mecanismos de regulagem do aquecimento e o metabolismo desses povos especializados são radicalmente diferentes das


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funções correspondentes dos mortais de Urântia. Quase todo ato da vida, afora a reprodução, difere; e mesmo os métodos da procriação são de certo modo também diferentes.

Nos mundos dos não-respiradores as espécies animais são radicalmente distintas daquelas encontráveis nos planetas atmosféricos. O plano de vida dos não-respiradores difere da técnica de existência em um mundo atmosférico; mesmo na sobrevivência, esses povos são diferentes, sendo candidatos à fusão com o Espírito. Esses seres, contudo, desfrutam da vida e levam adiante as atividades do reino relativamente com as mesmas provações e alegrias que são experimentadas pelos mortais que vivem nos mundos atmosféricos. Em mente e caráter os não-respiradores não diferem de outros tipos de mortais.

Vós deveríeis estar mais do que interessados na conduta planetária desse tipo de mortal, pois uma dessas raças de seres habita uma esfera muito próxima de Urântia.

4. AS CRIATURAS VOLITIVAS EVOLUCIONÁRIAS





Há grandes diferenças entre os mortais dos diversos mundos, inclusive entre os que pertencem aos mesmos tipos intelectuais e físicos, mas todos os mortais com a dignidade da vontade são animais eretos, bípedes.

Há seis raças evolucionárias básicas: três primárias – a vermelha, a amarela e a azul; e três secundárias – a laranja, a verde e a índigo. A maioria dos mundos habitados tem todas essas raças; entretanto, muitos dos planetas de raças de três cérebros abrigam apenas os três tipos primários. Alguns sistemas locais também têm apenas essas três raças.

Os seres humanos são dotados, em média, com doze sentidos físicos especiais, embora os sentidos especiais dos mortais de três cérebros sejam estendidos até ligeiramente além daqueles dos tipos de um cérebro e de dois; eles podem ver e ouvir consideravelmente muito mais do que as raças de Urântia.

Os nascimentos em geral são de apenas um ser, os nascimentos de múltiplos são uma exceção e a vida familiar é razoavelmente uniforme em todos os tipos de planetas. A igualdade entre os sexos prevalece em todos os mundos avançados; o masculino e o feminino têm dons iguais de mente e de status espiritual. Consideramos que um planeta não tenha emergido ainda do barbarismo, quando um sexo ainda procura tiranizar o outro. Esse aspecto da experiência da criatura sempre é bastante aperfeiçoado depois da vinda de um Filho e de uma Filha Materiais.

As variações de estações e temperaturas ocorrem em todos os planetas iluminados e aquecidos pela luz dos sóis. A agricultura é universal em todos os mundos atmosféricos; cultivar o solo é uma atividade comum às raças em avanço de todos esses planetas.

Em etapas primitivas, os mortais têm todos as mesmas lutas com os inimigos microscópicos, tais como a que vós vivenciais agora em Urântia, embora talvez em uma escala menor. A duração da vida varia nos diferentes planetas de vinte e cinco anos, nos mundos primitivos, até perto de quinhentos anos, nas esferas mais avançadas e antigas.

Os seres humanos são todos gregários, tanto tribalmente, quanto no sentido racial. As segregações grupais são inerentes à sua origem e constituição. Tais tendências podem ser modificadas apenas pelo avanço da civilização e pela espiritualização gradativa. Os problemas sociais, econômicos e governamentais dos mundos habitados variam de acordo com a idade dos planetas e o grau pelo qual foram influenciados pelas estadas sucessivas dos Filhos divinos.

A mente é uma dotação do Espírito Infinito e funciona quase da mesma maneira nos meios ambientes mais diversos. As mentes dos mortais são afins, independentemente de certas diferenças estruturais e químicas que caracterizam as naturezas físicas das


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criaturas volitivas dos sistemas locais. A despeito das diferenças planetárias, pessoais ou físicas, a vida mental de todas as várias ordens de mortais é muito parecida, e as suas carreiras imediatas após a morte são bastante semelhantes.

Mas a mente mortal sem o espírito imortal não pode sobreviver. A mente do homem é mortal; apenas o espírito outorgado é imortal. A sobrevivência depende da espiritualização por intermédio da ministração do Ajustador – para o nascimento e a evolução da alma imortal –; ou seja, no mínimo, é preciso que não tenha sido desenvolvida nenhuma espécie de antagonismo para com a missão do Ajustador, que é a de efetuar a transformação espiritual da mente material.

5. AS SÉRIES PLANETÁRIAS DE MORTAIS

Será bastante difícil fazer uma descrição adequada das categorias planetárias de mortais, porque vós conheceis pouco sobre elas e porque há muitas variações. As criaturas mortais podem, contudo, ser estudadas segundo inúmeros pontos de vista, entre os quais estão os seguintes:

1. O ajustamento ao meio ambiente planetário.

2. Os tipos de cérebro.

3. A recepção do Espírito.

4. As épocas mortais do planeta.

5. Os parentescos entre as criaturas.

6. O fusionamento com o Ajustador.

7. As técnicas de escape terrestre.

As esferas habitadas dos sete superuniversos são povoadas por mortais que podem, simultaneamente, classificar-se em uma ou em mais categorias de cada uma dessas sete classes generalizadas de vida das criaturas evolucionárias. Todavia, mesmo essas classificações gerais não levam em conta seres como os midsonitas, nem algumas outras formas de vida inteligente. Os mundos habitados, do modo como foram apresentados nestas narrativas, são povoados por criaturas mortais evolucionárias, mas há outras formas de vida.

1. A categoria segundo o ajustamento ao meio ambiente planetário. Há três grupos gerais de mundos habitados, sob o ponto de vista da adaptação da vida das criaturas ao meio ambiente planetário: o grupo de ajustamento normal, o grupo de ajustamento radical e o grupo experimental.

Os ajustamentos normais às condições planetárias seguem os modelos físicos gerais, considerados anteriormente. Os mundos dos não-respiradores tipificam o ajustamento radical ou extremo, mas outros tipos estão também incluídos nesse grupo. Os mundos experimentais são usualmente adaptados de modo ideal às formas típicas de vida e, nesses planetas decimais, os Portadores da Vida intentam produzir variações benéficas no projeto de vida padrão. Posto que o vosso mundo é um planeta experimental, ele difere acentuadamente das esferas irmãs de Satânia; muitas formas de vida surgiram em Urântia que não são encontradas em nenhum outro lugar; do mesmo modo muitas espécies comuns não estão presentes no vosso planeta.

No universo de Nébadon, todos os mundos de modificação da vida estão ligados uns aos outros, em uma série, e constituem um domínio especial de assuntos do universo, que recebe a atenção de administradores designados para isso; e todos esses mundos experimentais são periodicamente inspecionados por um corpo de diretores do universo, cujo dirigente é o finalitor veterano conhecido em Satânia como Tabamântia.


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2. As categorias segundo os tipos de cérebro. A uniformidade física básica entre os tipos de mortais está em ter um cérebro e um sistema nervoso; entretanto, há três organizações básicas do mecanismo cerebral: o tipo de um cérebro, o de dois cérebros e o tipo de três cérebros. Os urantianos são do tipo de dois cérebros; um pouco mais imaginativos, aventureiros e filosóficos do que os mortais de um cérebro. No entanto são um tanto menos espirituais, éticos e menos adoradores do que as ordens de três cérebros. Essas diferenças quanto aos cérebros caracterizam até mesmo as existências animais pré-humanas.

Partindo do córtex cerebral de dois hemisférios do tipo urantiano, vós podeis, por analogia, captar algo do tipo de um cérebro. O terceiro cérebro das ordens de três cérebros pode ser mais bem concebido como uma evolução da vossa forma de cerebelo, que é mais primitiva e rudimentar, desenvolvida a ponto de funcionar principalmente no controle das atividades físicas, deixando os dois cérebros superiores livres para as funções mais elevadas: um, para as funções intelectuais, e o outro, para as atividades de gerar a contraparte espiritual do Ajustador do Pensamento.

Conquanto o alcance na realização terrestre das raças de um cérebro possa parecer ligeiramente limitado, se comparado ao das ordens de dois cérebros, os planetas mais antigos, dos grupos de três cérebros, exibem civilizações que assombrariam os urantianos e que, de algum modo, envergonhariam a vossa, em uma comparação. Quanto ao desenvolvimento mecânico e à civilização material e mesmo quanto ao progresso intelectual, os mundos dos mortais de dois cérebros são capazes de igualar-se às esferas dos mortais de três cérebros. Quanto ao alto controle da mente e ao desenvolvimento de uma reciprocidade entre a vida intelectual e a espiritual, contudo, vós sois um pouco inferiores.

Todos esses estudos comparativos que dizem respeito ao progresso intelectual ou ao alcance da realização espiritual, em qualquer mundo ou grupo de mundos, deveriam, por justiça, considerar a idade planetária; e muito, muito mesmo, depende da idade, do nível da realização na ajuda dos elevadores biológicos e das missões subseqüentes das várias ordens dos Filhos divinos.

Enquanto os povos de três cérebros são capazes de uma evolução planetária ligeiramente mais elevada do que as ordens de um cérebro e do que as de dois, todas as ordens têm o mesmo tipo de plasma vital e exercem as atividades planetárias de um modo muito parecido, semelhante mesmo, ao realizado pelos seres humanos em Urântia. Esses três tipos de mortais estão distribuídos nos mundos dos sistemas locais. Na maioria dos casos, as condições planetárias pouco tiveram a ver com as decisões dos Portadores da Vida ao projetarem essas ordens variadas de mortais em mundos diferentes; é uma prerrogativa dos Portadores da Vida planejar e executar desse modo.

Essas três ordens estão em uma mesma posição, quanto à trajetória de ascensão. Cada uma deve passar pela mesma escala intelectual de desenvolvimento, e cada uma deve triunfar, na questão da mestria, passando pelas mesmas provas espirituais de progresso. A administração do sistema e o supracontrole da constelação desses mundos diferentes estão uniformemente isentos de discriminações; até mesmo os regimes dos Príncipes Planetários são idênticos.

3. A categoria segundo a recepção do Espírito. Há três grupos de modelos de mentes, no que diz respeito ao contato com os assuntos espirituais. Essa classificação nada tem a ver com a categoria dos mortais, quanto a terem um, dois ou três cérebros; refere-se essencialmente à química de glândulas, mais particularmente à organização de certas glândulas comparáveis aos corpos pituitários. As raças, em alguns mundos, têm uma glândula; em outros têm duas, como em Urântia; enquanto em outras esferas ainda, as raças têm três desses corpos extraordinários. A imaginação e a receptividade espiritual inerente são definitivamente influenciadas por essa dotação química diferencial.

Entre os tipos de recepção do espírito, sessenta e cinco por cento são do segundo grupo, como as raças de Urântia. Doze por cento são do primeiro tipo, naturalmente menos receptivos,


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enquanto vinte e três por cento têm uma inclinação espiritual maior durante a vida terrestre. Tais distinções, contudo, não continuam depois da morte natural; todas essas diferenças raciais prevalecem tão-só durante a vida na carne.

4. A categoria segundo as épocas mortais planetárias. Essa classificação leva em conta a sucessão de dispensações temporais, no que elas afetam o status terrestre do homem e o seu recebimento da ministração celeste.

A vida é iniciada nos planetas pelos Portadores da Vida, que cuidam do seu desenvolvimento até algum tempo após o aparecimento evolucionário do homem mortal. Antes de deixarem um planeta, os Portadores da Vida instalam devidamente um Príncipe Planetário como governante do reino. Com esse governante, chega uma cota completa de auxiliares subordinados e de ajudantes ministrantes, e o primeiro julgamento dos vivos e dos mortos acontece simultaneamente com a sua chegada.

Com a aparição de agrupamentos humanos, esse Príncipe Planetário chega para inaugurar a civilização humana e a dar mais enfoque à sociedade humana. O vosso mundo confuso não pode ser tomado como padrão das épocas primitivas do reinado do Príncipe Planetário, pois foi muito próximo do começo da administração de Urântia que o vosso Príncipe Planetário, Caligástia, ligou-se à rebelião de Lúcifer, o Soberano do Sistema. O vosso planeta, desde então, tem seguido um curso tormentoso.

Num mundo evolucionário normal, o progresso racial atinge o seu auge biológico natural durante o regime do Príncipe Planetário e, pouco depois, o Soberano do Sistema despacha um Filho e uma Filha Materiais para aquele planeta. Esses seres importados prestam o seu serviço como elevadores biológicos; a falta que eles cometeram em Urântia complicou, ainda mais, a vossa história planetária.

Quando os progressos intelectual e ético de uma raça humana alcançam os limites do desenvolvimento evolucionário, chega um Filho Avonal do Paraíso, em uma missão magisterial; e, mais tarde, quando o status espiritual desse mundo aproxima-se do seu limite de realização natural, o planeta é visitado por um Filho do Paraíso, em auto-outorga. A missão principal de um Filho auto-outorgante é a de estabelecer o status planetário, de liberar o Espírito da Verdade para a sua função planetária e, assim, efetivar a vinda universal dos Ajustadores do Pensamento.

Com relação a isso, novamente, Urântia desviou-se: nunca houve uma missão magisterial no vosso mundo, nem o vosso Filho auto-outorgado foi da ordem Avonal; o vosso planeta desfrutou da honra insigne de tornar-se o planeta lar mortal do Filho Soberano, Michael de Nébadon.

Como resultado da ministração de todas as ordens sucessivas de filiação divina, os mundos habitados e as suas raças em avanço começam a aproximar-se do ápice da evolução planetária. Tais mundos, então, tornam-se maduros para a missão culminante: a chegada dos Filhos Instrutores da Trindade. Essa época dos Filhos Instrutores é o vestibular para a idade planetária final – a utopia evolucionária –, a idade da luz e vida.

Essa classificação dos seres humanos receberá atenção especial, em um documento posterior ao presente.

5. A categoria segundo o parentesco das criaturas. Os planetas não são organizados apenas verticalmente, em sistemas, constelações e assim por diante; a administração do universo também provê os agrupamentos horizontais, de acordo com o tipo, a série e outras correlações. Essa administração horizontal do universo ocupa-se, mais particularmente, da coordenação das atividades da mesma natureza, que foram independentemente fomentadas em esferas diferentes. Essas classes relacionadas de criaturas do universo são


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periodicamente inspecionadas por alguns corpos compostos de altas personalidades, presididas por finalitores de longa experiência.

Esses fatores de parentesco manifestam-se em todos os níveis, pois as séries de parentesco existem tanto entre as personalidades não humanas, quanto entre as criaturas mortais – e até mesmo entre as ordens humanas e supra-humanas. Os seres inteligentes estão verticalmente relacionados em doze grandes grupos, de sete divisões maiores cada. A coordenação desses grupos de seres vivos, relacionados de um modo único, é efetuada provavelmente por alguma técnica, não integralmente compreendida, do Ser Supremo.

6. A categoria segundo o fusionamento com o Ajustador. A classificação ou agrupamento espiritual de todos os mortais durante a sua experiência anterior ao fusionamento é determinada, totalmente, pela relação do status da personalidade com o Monitor Misterioso residente. Quase noventa por cento dos mundos habitados de Nébadon são povoados por mortais de fusionamento com o Ajustador; um universo próximo, diferentemente, tem só um pouco mais do que a metade dos seus mundos, albergando seres resididos por Ajustadores e candidatos à fusão eterna.

7. A categoria segundo as técnicas de escape terrestre. Há fundamentalmente um único modo pelo qual a vida individual humana pode ser iniciada nos mundos habitados, e este é por meio da procriação da criatura e pelo nascimento natural; mas há numerosas técnicas por meio das quais o homem escapa do seu status terrestre e ganha acesso ao caudal do movimento, no sentido interior, dos seres que ascendem ao Paraíso.

6. O ESCAPE TERRESTRE

Todos os diferentes tipos físicos e séries planetárias de mortais semelhantes beneficiam-se da ministração dos Ajustadores do Pensamento, dos anjos guardiães e das várias ordens de hostes de mensageiros do Espírito Infinito. Da mesma forma, todos eles são liberados dos liames da carne pela emancipação da morte natural, e todos, do mesmo modo, vão desse ponto para os mundos moronciais da evolução espiritual e do progresso da mente.

De tempos em tempos, por uma moção das autoridades planetárias, ou dos governantes do sistema, são feitas ressurreições especiais dos sobreviventes adormecidos. Tais ressurreições acontecem ao menos a cada milênio do tempo planetário, quando nem todos, mas, “muitos daqueles que dormem no pó, despertam”. Essas ressurreições especiais são uma ocasião para a mobilização de grupos especiais de seres ascendentes, para o serviço específico no plano de ascensão mortal do universo local. Há tanto razões práticas quanto associações sentimentais ligadas a essas ressurreições especiais.

Durante as idades iniciais de um mundo habitado, muitos são chamados para as esferas das mansões, nas ressurreições especiais e milenares, mas a maioria dos sobreviventes é repersonalizada durante a inauguração de uma nova dispensação, ligada à vinda de um Filho divino para o serviço planetário.

1. Mortais da ordem dispensacional ou grupal de sobrevivência. Com a chegada do primeiro Ajustador em um mundo habitado, os serafins guardiães também aparecem; eles são indispensáveis ao escape terrestre. Durante o período do lapso de vida, que os sobreviventes têm, enquanto adormecidos, os valores espirituais e as realidades eternas das suas almas recém-evoluídas e imortais, são guardados em sagrada confiança pelos serafins guardiães pessoais ou grupais.

Os guardiães dos grupos, designados para os sobreviventes adormecidos, sempre funcionam com os Filhos dos julgamentos, quando das suas vindas ao mundo. “Ele enviará os Seus anjos,


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e eles reunirão, dos quatro ventos, os Seus eleitos.” Junto com cada serafim que é designado para a repersonalização de um mortal adormecido, funciona o Ajustador que retornou, aquele mesmo fragmento imortal do Pai que viveu nele durante os dias na carne e, assim, a identidade é restaurada e a personalidade ressuscitada. Durante o sono dos seus tutelados, esses Ajustadores que aguardavam, servem em Divínington; e eles nunca residem em outra mente mortal nesse ínterim.

Enquanto os mundos mais antigos de existências mortais abrigam os tipos de seres humanos mais altamente desenvolvidos e sutilmente espirituais, que são virtualmente dispensados da vida moroncial, as idades mais primevas das raças de origem animal caracterizam-se por abrigarem mortais primitivos tão imaturos que a fusão com os seus Ajustadores torna-se impossível. O redespertar desses mortais é realizado pelo serafim guardião, em conjunção com uma porção individualizada do espírito imortal da Terceira Fonte e Centro.

Assim, os sobreviventes adormecidos de uma idade planetária são repersonalizados nas listas de chamadas dispensacionais. Com respeito às personalidades não-salváveis de um reino, nenhum espírito imortal estará presente para funcionar com os guardiães grupais do destino, e isto constitui a cessação da existência da criatura. Ainda que alguns dos vossos registros descrevam esse acontecimento como tendo lugar nos planetas da morte na carne, isso realmente ocorre nos mundos das mansões.

2. Mortais das ordens individuais de ascensão. O progresso individual dos seres humanos é medido pelos sucessivos cumprimentos de etapas e de travessia (pela mestria) dos sete círculos cósmicos. Esses círculos de progressão mortal são níveis aos quais estão associados os valores intelectuais, sociais, espirituais e de discernimento cósmico. Começando pelo sétimo círculo, os mortais esforçam-se para alcançar o primeiro, e todos aqueles que houverem alcançado o terceiro têm, imediatamente, anjos guardiães pessoais do destino designados para si. Esses mortais podem ser repersonalizados na vida moroncial, independentemente do juízo dispensacional ou de outros juízos.

Durante as idades primitivas de um mundo evolucionário, poucos mortais vão a julgamento no terceiro dia. À medida que passam as idades, contudo, cada vez mais os guardiães pessoais do destino são designados para os mortais em avanço e, assim, números crescentes dessas criaturas em evolução são repersonalizados, no primeiro mundo das mansões, ao terceiro dia depois da morte natural. Em tais ocasiões, o retorno do Ajustador assinala o despertar da alma humana e isto é a repersonalização dos mortos, e tão literalmente o é como quando é feita a chamada em massa, no fim de uma dispensação, nos mundos evolucionários.

Há três grupos de seres ascendentes individuais: os menos avançados aterrissam no mundo inicial das mansões, ou seja, no primeiro. O grupo dos mais avançados pode iniciar a carreira moroncial em qualquer dos mundos intermediários das mansões, de acordo com a progressão planetária prévia. E os mais avançados ainda, dessas ordens, realmente começam a sua experiência moroncial no sétimo mundo das mansões.

3. Mortais das ordens cuja ascensão depende de um período probatório. A chegada de um Ajustador constitui a identidade, aos olhos do universo, e todos os seres resididos estão nas listas de chamadas da justiça. A vida temporal nos mundos evolucionários, contudo, é incerta, e muitos morrem na juventude, e antes de escolherem a carreira do Paraíso. Tais crianças e jovens resididos por Ajustadores seguem aquele dentre os seus pais que tiver o status de carreira espiritual mais avançado, indo assim para o mundo dos finalitores do sistema (o berçário probatório), ao terceiro dia, em uma ressurreição especial, ou quando ocorrer a chamada regular do milênio ou, ainda, a da lista dispensacional.


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As crianças que morrem novas demais para terem Ajustadores do Pensamento são repersonalizadas, no mundo dos finalitores do sistema local, concomitantemente com a chegada de um dos seus progenitores nos mundos das mansões. Uma criança adquire entidade física com o nascimento mortal, mas, em matéria de sobrevivência, todas as crianças sem Ajustadores são consideradas como ainda ligadas aos seus pais.

No devido tempo, os Ajustadores do Pensamento vêm para residir nesses pequenos, enquanto a ministração seráfica, para ambos os grupos probatórios de ordens de dependentes sobreviventes, é, em geral, semelhante àquela do progenitor mais avançado, ou é equivalente àquela de um dos progenitores, caso apenas um deles sobreviva. Para aqueles que alcançaram o terceiro círculo, independentemente do status dos seus progenitores, são concedidos guardiães pessoais.

Berçários probatórios semelhantes são mantidos nas esferas dos finalitores, na constelação e na sede central do universo, para as crianças sem Ajustadores das ordens primárias e secundárias modificadas de ascendentes.

4. Mortais das ordens secundárias modificadas de ascensão. Estes são os seres humanos progressivos dos mundos evolucionários intermediários. Via de regra, eles não são imunes à morte natural e ficam isentos de passar pelos sete mundos das mansões.

O grupo menos perfeccionado redesperta nas sedes centrais dos seus sistemas locais, passando ao largo apenas dos mundos das mansões. O grupo intermediário vai para os mundos de aperfeiçoamento da constelação; eles passam ao largo de todo o regime moroncial do sistema local. Mais adiante ainda, nas idades planetárias de esforço espiritual, muitos sobreviventes despertam nas sedes centrais das constelações e, dali, começam a sua ascensão ao Paraíso.

Antes, porém, de que qualquer ser desses grupos possa prosseguir, os seus integrantes devem regressar como instrutores aos mundos pelos quais não passaram, adquirindo assim muitas experiências como instrutores nos reinos pelos quais passaram como estudantes. Subseqüentemente, todos continuam até o Paraíso, pelos caminhos ordenados de progressão mortal.

5. Mortais da ordem primária modificada de ascensão. Esses mortais pertencem ao tipo de vida evolucionária que se fusiona ao Ajustador, mas eles são representativos, mais freqüentemente, das fases finais do desenvolvimento humano em um mundo em evolução. Esses seres glorificados ficam isentos de passar pelos portais da morte; eles são submetidos à custódia do Filho; e são transladados de entre os vivos, aparecendo imediatamente na presença do Filho Soberano, na sede central do universo local.

Esses são os mortais que se fusionam aos seus Ajustadores durante a vida mortal, e essas personalidades fusionadas aos Ajustadores atravessam o espaço livremente, antes de serem vestidos com as formas moronciais. Tais almas fusionadas vão, em um trânsito direto, com o Ajustador até as salas de ressurreição das elevadas esferas moronciais, onde recebem a sua investidura moroncial inicial, exatamente como todos os outros mortais que chegam dos mundos evolucionários.

Essa ordem primária modificada de ascensão mortal pode ser aplicada a indivíduos em qualquer das categorias planetárias, desde os estágios mais baixos aos mais elevados dos mundos de fusão com os Ajustadores, mas funciona nas esferas mais antigas, mais freqüentemente, depois que estas hajam recebido os benefícios das numerosas permanências dos Filhos divinos.

Com o estabelecimento da era planetária de luz e vida, muitos vão para os mundos moronciais do universo por meio da ordem primária modificada de translado. Mais tarde, ao longo dos estágios mais avançados da existência estabelecida,


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quando a maioria dos mortais que deixam um reino é abrangida nessa classe, o planeta é considerado como pertencendo a essa série. A morte natural torna-se cada vez menos freqüente nessas esferas há muito estabelecidas em luz e vida.


[Apresentado por um Melquisedeque da Escola de Administração Planetária de Jerusém.] 
O LIVRO DE URANTIA



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DOCUMENTO 64
AS RAÇAS EVOLUCIONÁRIAS DE COR


Esta é a história das raças evolucionárias de Urântia desde os dias de Andon e Fonta, há quase um milhão de anos, passando pela época do Príncipe Planetário até o fim da idade glacial.

A raça humana tem quase um milhão de anos, e a primeira metade da sua história corresponde, grosso modo, aos dias anteriores à vinda do Príncipe Planetário para Urântia. A segunda metade da história da humanidade começa na época da chegada do Príncipe Planetário e do aparecimento das seis raças de cor e corresponde, grosso modo, ao período comumente considerado como a Idade da Pedra Lascada.


1. OS ABORÍGINES ANDÔNICOS

O homem primitivo fez o seu aparecimento evolucionário na Terra há pouco menos de um milhão de anos, e teve uma experiência rude. Ele tentou escapar instintivamente dos perigos de reproduzir-se com as tribos de símios inferiores. Contudo, ele não podia migrar para o leste, por causa das elevações tibetanas áridas, a 9 000 metros de altitude acima do nível do mar; nem podia ir para o sul, nem para o oeste, por causa da grande extensão do mar Mediterrâneo, que então se estendia para o leste, até o oceano Índico; e, quando foi para o norte, ele encontrou o gelo que avançava. Porém, ainda que a migração posterior tivesse sido bloqueada pelo gelo e, embora as tribos em dispersão se tivessem tornado cada vez mais hostis, os grupos mais inteligentes nunca alimentaram a idéia de ir para o sul, para viver entre os seus primos peludos de intelecto inferior que habitavam em árvores.

Muitas das primeiras emoções religiosas do homem brotaram dos seus sentimentos de impotência, quanto ao meio ambiente fechado de uma situação geográfica: montanhas à direita, água à esquerda e gelo pela frente. Esses andonitas progressivos, todavia, não queriam voltar para o sul; para junto dos seus parentes inferiores, habitantes de árvores.

Esses andonitas, ao contrário dos hábitos dos seus parentes não humanos, evitavam as florestas. Nas florestas, o homem sempre se deteriorara; a evolução humana fez progresso apenas em terras abertas e nas latitudes mais elevadas. O frio e a fome das terras abertas estimulam a ação, a invenção e o espírito empreendedor. Enquanto essas tribos andonitas produziam os pioneiros da raça humana atual, em meio às rudes provações e privações dos rigorosos climas nórdicos, os seus primos atrasados deleitavam-se nas florestas tropicais sulinas da terra de sua origem primitiva comum.

Esses acontecimentos ocorreram durante os tempos da terceira invasão glacial, que os vossos geólogos consideram como sendo a primeira. Os dois primeiros períodos glaciais não se estenderam à Europa setentrional.

Durante a maior parte da idade glacial, a Inglaterra estava ligada por terra à França, enquanto, ulteriormente, a África esteve ligada à Europa pelo istmo Siciliano.



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Na época das migrações andônicas, havia uma contínua rota de terras que, passando pela Europa e pela Ásia, ligava a Inglaterra, a oeste, até Java, no leste; mas a Austrália de novo estava isolada, o que acentuava ainda mais o desenvolvimento de uma fauna peculiar sua.

Há 950 mil anos, os descendentes de Andon e Fonta haviam migrado para bem longe, a leste e a oeste. Para irem até o oeste, eles passaram pela Europa, indo para a França e a Inglaterra. Posteriormente, penetraram em direção leste, até Java, onde os seus ossos foram recentemente encontrados – o chamado homem de Java –, e então prosseguiram no seu caminho para a Tasmânia.

Os grupos que foram para o oeste foram menos contaminados pelas linhagens retrógradas, de origem ancestral comum, do que os que foram para o leste, que se miscigenaram livremente com os primos, animais inferiores. Esses indivíduos não progressistas derivaram para o sul e logo se uniram com as tribos inferiores. Mais tarde, um número crescente de descendentes mestiços deles retornou para o norte, para miscigenar-se com os povos andônicos, que se expandiam rapidamente; e essas uniões infelizes infalivelmente deterioraram a raça superior. Os grupos primitivos mantinham cada vez menos a adoração d’Aquele Que Dá o Alento. Essa civilização primitiva, na sua aurora, estava ameaçada de extinção.

E assim tem sido sempre em Urântia. As civilizações mais promissoras são as que se têm, sucessivamente, deteriorado e, finalmente, se extinguido, devido à loucura de permitir que os superiores procriem livremente com os inferiores.

2. OS POVOS DE FOXHALL



Há 900 mil anos, as artes de Andon e Fonta e a cultura de Onagar estavam em vias de desaparecimento da face da Terra; a cultura, a religião e mesmo a elaboração de trabalhos de pedra estavam na mais plena decadência.

Esses foram tempos em que um grande número de grupos de mestiços inferiores estava chegando à Inglaterra, vindos do sul da França. Essas tribos eram tão misturadas com as criaturas simianas da floresta, que mal podiam ser consideradas humanas. Não tinham nenhuma religião, mas faziam trabalhos toscos de pedra e possuíam inteligência suficiente para fazer o fogo.

Eles foram seguidos, na Europa, por um povo, de um certo modo superior e prolífico, cujos descendentes logo se espalharam por todo o continente, desde as geleiras, ao norte, até os Alpes e o Mediterrâneo, ao sul. Essas tribos são as chamadas raças de Heidelberg.

Durante esse longo período de decadência cultural, os povos de Foxhall, da Inglaterra, e as tribos de Badonan, do nordeste da Índia, continuaram a manter algumas das tradições de Andon e alguns remanescentes da cultura de Onagar.

Os povos de Foxhall estavam no extremo oeste e tiveram êxito em guardar o suficiente da cultura andônica; e também preservaram o seu conhecimento do trabalho na pedra; conhecimento esse que transmitiram aos seus descendentes, os antigos ancestrais dos esquimós.

Embora os remanescentes dos povos de Foxhall tivessem sido os últimos a serem descobertos na Inglaterra, esses andonitas foram realmente os primeiros seres humanos que viveram naquelas regiões. Naquela época, uma ponte de terra ainda ligava a França e a Inglaterra; e, como a maioria dos primeiros povoados dos descendentes de Andon estava assentada ao longo dos rios e nas costas dos mares daquela época primitiva, esses povoados encontram-se agora sob as águas do canal da Mancha e do mar do Norte, com exceção de uns três ou quatro que estão ainda acima do nível do mar, na costa inglesa.


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Muitos dentre os povos de Foxhall, os mais inteligentes e espirituais, mantiveram a sua superioridade racial e perpetuaram os seus costumes religiosos primitivos. E esses povos, à medida que mais tarde se misturaram a linhagens subseqüentes, transladaram-se da Inglaterra para o oeste, depois de uma invasão glacial ulterior, e sobreviveram, constituindo os esquimós atuais.

3. AS TRIBOS BADONAN

Além dos povos de Foxhall, no oeste, outro centro ativo de cultura subsistiu no leste. Esse grupo vivia junto ao pé dos planaltos, no noroeste da Índia, entre as tribos de Badonan, que era um tetraneto de Andon. Esses povos foram os únicos descendentes de Andon que nunca praticaram o sacrifício humano.

Esses badonitas das terras altas ocuparam um platô extenso, cercado de florestas, atravessado por correntezas e abundante em caça. Como alguns dos seus primos no Tibete, eles viviam em abrigos rudes de pedra, em grutas nas encostas e em galerias semi-subterrâneas.

Enquanto as tribos do norte temiam cada vez mais o gelo, os que viviam perto das suas terras de origem tornaram-se excessivamente temerosos da água. Eles presenciaram a península da Mesopotâmia afundando gradativamente no oceano e, embora ela emergisse várias vezes, as tradições dessas raças primitivas cresceram em função dos perigos do mar e do medo de inundações periódicas. E esse temor, junto com a sua experiência de enchentes de rios, explica por que buscavam os planaltos como um local seguro no qual viver.

A leste do domínio dos povos de Badonan, nos montes Siwalik, da Índia do norte, podem ser encontrados fósseis que se aproximam dos tipos de transição entre o homem e os vários grupos pré-humanos, mais do que em quaisquer outros locais na Terra.

Há 850 mil anos, as tribos superiores de Badonan começaram uma guerra de exterminação, dirigida contra os seus vizinhos inferiores e animalizados. Em menos de mil anos, a maior parte dos grupos animais dessas regiões fora destruída ou recuara de volta para as florestas do sul. Essa campanha para a exterminação dos seres inferiores trouxe um ligeiro aperfeiçoamento nas tribos das montanhas daquela idade. E os descendentes miscigenados dessa raça badonita aprimorada apareceram nessa fase do desenvolvimento como um povo aparentemente novo – a raça de Neanderhal.


4. AS RAÇAS DE NEANDERTAL



Os homens de Neandertal eram excelentes lutadores e faziam longas viagens. Gradativamente espalharam-se dos centros dos planaltos, no Noroeste da Índia, para a França, a oeste, para a China, a leste, e mesmo descendo para o norte da África. Eles dominaram o mundo por quase meio milhão de anos, até o tempo da migração das raças evolucionárias de cor.

Há 800 mil anos, a caça era abundante; muitas espécies de cervos, bem como de elefantes e de hipopótamos, perambulavam pela Europa. O gado era abundante; os cavalos e os lobos estavam em todos os lugares. Os homens de Neandertal foram grandes caçadores, e as tribos na França foram as primeiras a adotar a prática de dar aos caçadores de maior êxito o direito dE escolha das esposas.



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A rena foi extremamente útil a esses povos de Neandertal, servindo de alimento, de roupa e de instrumentos, pois eles faziam vários usos dos seus chifres e ossos. Tinham pouca cultura, mas melhoraram, em muito, o trabalho de entalhe nas pedras, até que este atingiu quase o nível dos dias de Andon. As pedras maiores, presas a cabos de madeira, voltaram a ser usadas e serviam como machados e picaretas.

Há 750 mil anos, o quarto lençol de gelo avançara para o sul. Com os implementos aperfeiçoados, os homens de Neandertal fizeram buracos no gelo que cobriam os rios do norte e, assim, podiam fisgar o peixe que vinha até esses orifícios. Essas tribos sempre recuavam diante do gelo que avançava e, nessa época, houve a maior invasão glacial na Europa.

Nesses tempos, a glacial siberiana estava fazendo a sua progressão máxima para o sul, compelindo o homem primitivo a deslocar-se mais para o sul, de volta às suas terras de origem. Mas a espécie humana, então, estava tão suficientemente diferenciada que o perigo de miscigenações futuras, com os seus parentes símios atrasados, diminuíra em muito.

Há 700 mil anos, a quarta glacial, a maior de todas na Europa, estava começando a regredir; os homens e os animais estavam retornando para o norte. O clima era fresco e úmido, e o homem primitivo novamente prosperava na Europa e na Ásia ocidental. Gradualmente, as florestas espalharam-se para o norte, sobre a terra que havia sido tão recentemente coberta pelas geleiras.

A vida dos mamíferos tinha mudado pouco, por causa das grandes glaciais. Esses animais subsistiram naquele cinturão estreito de terra entre o gelo e os Alpes e, com o retrocesso das geleiras, de novo espalharam-se rapidamente por toda a Europa. Da África chegaram, passando pela ponte de terra da Sicília, elefantes de presas retas, rinocerontes de imensos focinhos, hienas e leões africanos, e esses novos animais virtualmente exterminaram os tigres dentes-de-sabre e os hipopótamos.

Há 650 mil anos, presenciou-se a continuação do clima suave. No meio do período interglacial, o tempo havia-se tornado tão quente que os Alpes ficaram quase despidos de gelo e de neve.

Há 600 mil anos, as geleiras haviam-se retraído, então, ao máximo, na direção do norte e, depois de uma pausa de alguns milhares de anos, novamente iam para o sul, na sua quinta incursão. Entretanto, por cinqüenta mil anos, houve pouca modificação de clima. O homem e os animais da Europa modificaram-se pouco. A ligeira aridez do período anterior diminuiu e as geleiras alpinas desceram até muito baixo, nos vales dos rios.

Há 550 mil anos, as geleiras que avançavam novamente empurraram o homem e os animais para o sul. Dessa vez, entretanto, o homem tinha muito espaço no largo cinturão de terra que se estendia para o nordeste, penetrando a Ásia, e que ficava entre a faixa de gelo e o mar Negro, grandemente expandido, então, como um braço do Mediterrâneo.

Essas épocas, da quarta e da quinta glaciais, testemunharam mais outra disseminação da cultura rude das raças do homem de Neandertal. Houve tão pouco progresso, contudo, que realmente parecia que a tentativa de produzir um tipo novo e modificado de vida inteligente em Urântia estava para fracassar. Por quase um quarto de milhão de anos, esses povos primitivos deixaram-se levar, caçando e lutando, por avanços esporádicos em algumas direções, mas, no todo, retrocedendo, certamente, se comparados aos seus ancestrais andônicos superiores.

Durante essas idades de trevas espirituais, a cultura supersticiosa da humanidade decaiu ao seu nível mais baixo. O homem de Neandertal realmente não tinha nenhuma religião além



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de uma superstição vergonhosa. Eles tinham um medo mortal das nuvens, mais especialmente de nevoeiros e neblinas. Uma religião primitiva de medo das forças naturais desenvolveu-se gradativamente, enquanto a adoração de animais declinava, à medida que o aperfeiçoamento das armas, com a abundância da caça, tornou esse povo capaz de viver com menos ansiedade a respeito da própria alimentação; e as recompensas do sexo, aos melhores caçadores, levaram a um melhoramento nas habilidades da arte da caça. Essa nova religião do medo levou às tentativas de aplacar as forças invisíveis por trás dos elementos naturais, e culminou, posteriormente, com os sacrifícios de seres humanos para apaziguar essas forças físicas invisíveis e desconhecidas. E essa prática terrível do sacrifício humano tem sido perpetuada pelos povos mais atrasados de Urântia, até o século vinte desta era.

Esses primitivos homens de Neandertal dificilmente poderiam ser chamados de adoradores do sol. Eles viviam mais no medo da escuridão; tinham um pavor mortal do cair da noite. Desde que a lua brilhasse um pouco, eles conseguiam manter o seu sangue-frio, mas, nas noites sem lua, eles chegavam ao pânico e começavam a sacrificar os seus melhores exemplares de homens e mulheres, em um esforço para induzir a lua a brilhar de novo. O sol, eles logo perceberam, voltaria regularmente, mas a lua, eles achavam que ela retornava por causa dos sacrifícios que faziam dos seus semelhantes. À medida que a raça avançou, o objeto e o propósito do sacrifício mudaram progressivamente, mas a oferta do sacrifício humano, como parte de um cerimonial religioso, perdurou ainda por um longo tempo.


5. A ORIGEM DAS RAÇAS COLORIDAS






Há 500 mil anos, as tribos Badonan dos planaltos ao noroeste da Índia viram-se envolvidas em uma outra grande luta racial. Por mais de cem anos, essa guerra impiedosa gerou a violência e, quando a longa luta chegou ao fim, restavam apenas cerca de cem famílias. Esses sobreviventes eram, porém, os mais inteligentes e os mais desejáveis de todos os descendentes de Andon e Fonta, que então estavam vivos.

E, entre esses badonitas dos planaltos, houve então um acontecimento novo e estranho. Um homem e uma mulher que viviam na parte nordeste da região habitada dos planaltos, começaram subitamente a produzir uma família de crianças inusitadamente inteligentes. Essa foi a família sangique, os ancestrais de todas as seis raças coloridas de Urântia.

Essas crianças sangiques, em número de dezenove, não apenas eram mais inteligentes do que os seus semelhantes, mas as suas peles manifestavam uma tendência única de tomar várias cores com a exposição à luz do sol. Dessas dezenove crianças, cinco eram vermelhas, duas alaranjadas, quatro amarelas, duas verdes, quatro azuis e duas índigo. Essas cores tornaram-se mais pronunciadas à medida que as crianças foram ficando mais adultas e, quando, mais tarde, esses jovens se mesclaram aos seus companheiros de tribo, toda a sua progênie tendia para a cor de pele do ascendente sangique.

E, agora, eu interrompo a narrativa cronológica, para chamar a vossa atenção à chegada do Príncipe Planetário, por volta dessa época, enquanto consideramos separadamente as seis raças sangiques de Urântia.


6. AS SEIS RAÇAS SANGIQUES DE URÂNTIA

Num planeta evolucionário normal as seis raças evolutivas de cor aparecem uma a uma; o homem vermelho é o primeiro a evoluir e, durante idades, ele percorre o mundo, antes que as sucessivas raças coloridas apareçam. A emergência simultânea de todas as seis raças em Urântia, e em uma mesma família, foi bastante excepcional.

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O aparecimento dos primeiros andonitas, em Urântia, foi também um fato novo em Satânia. Em nenhum outro mundo, no sistema local, essa raça de criaturas volitivas evoluiu antes das raças evolucionárias de cor.

1. O homem vermelho. Esses povos eram espécimes notáveis da raça humana, sob muitos aspectos, superiores a Andon e Fonta. Eles formavam o grupo mais inteligente e foram os primeiros filhos dos sangiques a desenvolverem uma civilização e um governo tribal. Eles sempre foram monógamos; mesmo os seus descendentes mistos raramente praticavam a poligamia.

Em tempos posteriores, eles tiveram problemas sérios e prolongados com os seus irmãos amarelos na Ásia. Foram ajudados pela invenção prematura do arco e da flecha, mas, infelizmente, herdaram uma tendência forte dos seus antepassados, de lutar entre si próprios, e isso os enfraqueceu tanto que as tribos amarelas tornaram-se capazes de expulsá-los do continente asiático.

Há cerca de 85 mil anos, os remanescentes relativamente puros da raça vermelha foram em massa para a América do Norte e, pouco depois disso, o istmo de Behring afundou, isolando-os assim. Nenhum homem vermelho jamais retornou à Ásia. No entanto, em toda a Sibéria, na China, na Ásia central, na Índia e na Europa, eles deixaram para trás muito do seu sangue misturado a outras raças coloridas.

Quando o homem vermelho atravessou para a América, ele trouxe consigo grande parte dos ensinamentos e das tradições da sua origem primitiva. Os seus ancestrais imediatos tinham estado em contato com as últimas atividades da sede central mundial do Príncipe Planetário. Contudo, pouco tempo depois de alcançar as Américas, o homem vermelho começou a perder de vista esses ensinamentos e ocorreu um grande declínio intelectual e espiritual na sua cultura. Logo, esses povos caíram de novo em lutas tão furiosas, entre eles próprios, que parecia que essas guerras tribais resultariam na rápida extinção desses remanescentes relativamente puros da raça vermelha.

Por causa desse grande retrocesso, os homens vermelhos pareciam condenados quando, há cerca de sessenta e cinco mil anos, Onamonalonton surgiu como o seu líder e libertador espiritual. Ele trouxe uma paz temporária entre os homens vermelhos americanos e reavivou a sua adoração do “Grande Espírito”. Onamonalonton viveu até os noventa e seis anos de idade e manteve o seu núcleo central em meio às grandes sequóias da Califórnia. Muitos dos seus últimos descendentes chegaram até os tempos modernos, entre os Índios Pés Negros.

Com o passar dos tempos, os ensinamentos de Onamonalonton transformaram-se em tradições vagas. As guerras fratricidas recomeçaram, e nunca mais, depois dos dias desse grande instrutor, surgiu outro líder que trouxesse uma paz universal entre eles. As raças mais inteligentes pereciam cada vez mais nessas lutas tribais e, não fora isso, uma grande civilização teria sido construída no continente norte-americano por esses homens vermelhos inteligentes e hábeis.

Depois de haver passado para a América, vindo da China, o homem vermelho do norte nunca mais entrou em contato com outras influências do mundo (exceto o esquimó), até que, mais tarde, fosse descoberto pelo homem branco. E foi uma infelicidade que o homem vermelho tenha quase completamente perdido a sua oportunidade de ser elevado por uma mistura com o sangue Adâmico posterior. Como aconteceu, o homem vermelho não podia governar o homem branco, e não queria servir voluntariamente a ele. Nessas circunstâncias, se as duas raças não se misturam, uma ou a outra fica condenada.

2. O homem alaranjado. A característica que mais se destacava nessa raça era a sua necessidade peculiar de construir, de edificar toda e qualquer coisa, ainda que fosse empilhar

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grandes montes de pedras para ver qual tribo faria a pilha maior. Embora não fosse um povo progressivo, eles beneficiaram-se muito das escolas do Príncipe, enviando representantes para instruir-se ali.

A raça laranja foi a primeira a seguir a linha da costa do Mediterrâneo na direção sul, até a África, quando esse mar afastava-se para o oeste. Entretanto, eles nunca firmaram favoravelmente pontos de apoio na África, e foram exterminados quando da chegada ulterior da raça verde.

Antes do seu fim, esse povo perdeu muito terreno, espiritual e culturalmente; mas houve um grande recrudescimento de um nível superior de vida, em resultado da liderança sábia de Porshunta, a mente mestra dessa desafortunada raça, que a ela trouxe a sua ministração quando o seu centro geral era em Armagedon, há cerca de trezentos mil anos.

A última grande luta, entre os homens alaranjados e os verdes, ocorreu na região do vale do baixo Nilo, no Egito. Essa guerra interminável durou quase cem anos e, no seu final, pouquíssimos representantes da raça alaranjada permaneciam vivos. Os restos dispersos desse povo foram absorvidos pelos homens verdes e, posteriormente, pelos índigos, que chegaram mais tarde. Como raça, contudo, o homem alaranjado deixou de existir há cerca de cem mil anos.

3. O homem amarelo. As tribos amarelas primitivas foram as primeiras a abandonar a caça, a estabelecer comunidades estáveis, e a desenvolver uma vida familiar baseada na agricultura. Intelectualmente, eles eram um pouco inferiores ao homem vermelho, mas, social e coletivamente, eles demonstraram ser superiores a todos os povos sangiques, no que se refere a fomentar a civilização de uma raça. Por haverem desenvolvido um espírito fraternal, com as várias tribos aprendendo a viver juntas em uma paz relativa, eles tornaram-se capazes de ir expulsando a raça vermelha à medida que iam gradualmente expandindo-se pela Ásia.

Eles viajaram para longe das influências da sede central espiritual do mundo e entraram em grandes trevas espirituais, depois da apostasia de Caligástia; mas esse povo teve uma idade brilhante, quando Singlangton, há cerca de cem mil anos, assumiu a liderança dessas tribos e proclamou a adoração da “Verdade Única”.

A sobrevivência de números relativamente grandes de homens da raça amarela é devida ao pacifismo entre as tribos. Desde os dias de Singlangton, aos tempos da China moderna, a raça amarela tem estado entre as nações mais pacíficas de Urântia. Essa raça recebeu um legado pequeno, mas potente, da posterior descendência Adâmica importada.

4. O homem verde. A raça verde foi um dos grupos menos capazes de homens primitivos, e eles foram muito enfraquecidos pelas extensas migrações em várias direções. Antes da sua dispersão, essas tribos conheceram um grande renascimento cultural, sob a liderança de Fantad, há uns trezentos e cinqüenta mil anos.

A raça verde separou-se em três grandes divisões. As tribos do norte foram vencidas, escravizadas e absorvidas pelas raças amarelas e azuis. O grupo do leste foi amalgamado aos povos da Índia daqueles dias, e alguns remanescentes ainda perduram em meio àqueles povos. A nação sulina entrou na África, onde destruiu a raça dos seus primos, quase igualmente inferiores, da raça alaranjada.

Sob muitos aspectos, ambos os grupos estavam equiparadamente dotados para essa luta, pois ambos traziam linhagens da ordem dos gigantes; muitos dos seus líderes tinham entre dois metros e quarenta,

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e dois metros e sessenta de altura. Essas linhagens de homens verdes gigantes ficaram, na sua maioria, confinadas a essa nação sulina ou egípcia.

Os remanescentes dos homens verdes vitoriosos foram absorvidos, subseqüentemente, pela raça índigo, o último dos povos coloridos a desenvolver-se e a emigrar do centro sangique original de dispersão das raças.

5. O homem azul. Os homens azuis formaram um grande povo. Muito cedo, eles inventaram a lança e, em seguida, elaboraram os rudimentos de muitas das artes da civilização moderna. O homem azul tinha o poder cerebral do homem vermelho, associado à alma e ao sentimento do homem amarelo. Os descendentes Adâmicos preferiam-nos a todas as raças coloridas posteriores que sobreviveram.

Os homens azuis primitivos foram sensíveis às persuasões dos educadores do corpo de assessores do Príncipe Caligástia e foram lançados em uma grande confusão quando os ensinamentos deturpados vieram dos líderes traidores. Como outras raças primitivas, eles nunca se recuperaram plenamente do abalo produzido pela traição de Caligástia, e também nunca conseguiram superar inteiramente a tendência de lutar entre si.

Aproximadamente quinhentos anos depois da queda de Caligástia, ocorreu uma ampla renascença cultural e religiosa de um tipo primitivo – no entanto, real e benéfica. Orlandof tornou-se um grande instrutor da raça azul e conduziu muitas tribos de volta ao culto do Deus verdadeiro, sob o nome de “o Chefe Supremo”. Esse foi o maior avanço do homem azul, até tempos posteriores, quando essa raça foi tão enormemente elevada pelo acréscimo do sangue Adâmico.

As pesquisas e explorações européias, sobre a antiga Idade da Pedra Lascada, têm muito a ver com a escavação dos instrumentos, ossos e objetos de artesanato desses antigos homens azuis, pois eles perduraram na Europa até tempos recentes. As chamadas raças brancas, de Urântia, são descendentes desses homens azuis, pois eles foram, primeiro, modificados por uma leve mistura com as raças amarela e vermelha e, mais tarde, foram elevados em muito pela assimilação de porções maiores da raça violeta.

6. A raça índigo. Do mesmo modo que os homens vermelhos foram os mais avançados de todos os povos sangiques, os homens negros foram os de menor progresso. Foram os últimos a migrar dos planaltos da sua origem. Eles foram para a África, tomaram posse do continente e, desde então, permaneceram sempre lá, salvo quando tirados dali à força, de épocas em épocas, como escravos.

Isolados na África, os povos índigos, como o homem vermelho, receberam pouca ou nenhuma elevação racial que se poderia haver derivado da infusão do sangue Adâmico. A sós, na África, a raça índiga fez poucos avanços, até os dias de Orvonon, quando experimentou um grande despertar espiritual. Se bem que, mais tarde, quase se esqueceu do “Deus dos Deuses”, proclamado por Orvonon, não perdeu inteiramente o desejo de adorar o Desconhecido; pelo menos, manteve uma forma de adoração, até uns poucos milhares de anos.

Não obstante o seu atraso, esses povos índigos têm o mesmo status, perante os poderes celestes, de qualquer das outras raças terrenas.

Essas foram idades de lutas intensas entre as várias raças, contudo, próximo à sede central do Príncipe Planetário, os grupos mais esclarecidos e de instrução mais recente viveram juntos em uma relativa harmonia, embora nenhuma grande conquista cultural das raças do mundo tenha sido realizada até o momento em que a eclosão da rebelião de Lúcifer causou uma séria interrupção nesse regime de harmonia.

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De tempos em tempos, todos esses diferentes povos conheceram renascimentos culturais e espirituais. Mansant foi um grande educador dos dias pós-Príncipe Planetário. Contudo, estamos fazendo menção apenas aos líderes destacados e educadores que influenciaram e inspiraram de modo marcante uma raça inteira. Com o passar dos tempos, muitos mestres menores surgiram, em regiões diferentes; e, no conjunto, eles contribuíram muito para a soma total das influências salvadoras que impediram um colapso cabal da civilização cultural, especialmente durante as idades longas e obscuras entre a rebelião de Caligástia e a chegada de Adão.

Há razões boas, suficientes e em grande número que justificam o plano de fazer evoluir três ou seis raças coloridas, nos mundos do espaço. Embora os mortais de Urântia possam não estar em posição de saber apreciar todas essas razões, nós gostaríamos de chamar a atenção para as seguintes:

1. A variedade é indispensável, para dar oportunidade a um amplo funcionamento da seleção natural, levando à sobrevivência dos estratos superiores.

2. Raças mais fortes e melhores podem ser obtidas, em conseqüência de cruzamentos de povos diversos, quando essas raças diferentes são portadoras de fatores de uma herança superior. E as raças de Urântia ter-se-iam beneficiado de uma tal miscigenação antecipada, caso o povo resultante pudesse ter sido subseqüentemente elevado, de um modo efetivo, por uma miscigenação cuidadosa com a raça Adâmica superior. Uma tentativa de se efetuar um experimento assim, em Urântia, sob as condições raciais atuais, seria altamente desastrosa.

3. A competição é saudavelmente estimulada pela diversidade de raças.

4. As diferenças no status das raças e dos grupos, dentro de cada raça, são essenciais para o desenvolvimento da tolerância e do altruísmo humano.

5. A homogeneidade da raça humana não é desejável, antes que os povos de um mundo em evolução atinjam níveis relativamente altos de desenvolvimento espiritual.

Texto do Livro de Urantia



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